
Silvio Tendler viverá para sempre nos corações de todos os integrantes dos Estados Gerais da Cultura com seu jeito irreverente e sensível.
Essa sensibilidade não era fragilidade, mas método: era dela que nascia sua perspicácia, a habilidade de enxergar conexões, tensões e ausências onde muitos viam apenas fatos isolados. Foi guiado pela sensibilidade que Silvio mobilizou e colocou na ‘mesma sala’ (como dizia ele) intelectuais, artistas e pessoas das mais diversas áreas de atuação do conhecimento interessadas no avanço rumo a um futuro de bem- estar social para todos, tendo como alavanca a ação artística e cultural. Criou-se então os Estados Gerais da Cultura!
Atuamos um pouco mais de dois anos com debates, manifestos e narrativas intensas sobre os absurdos cometidos contra as artes e a cultura no período do desgoverno de Jair Bolsonaro. Durante todo esse tempo, Silvio Tendler estava à frente nas iniciativas e ideias.
“Nós, trabalhadores da Arte e da Cultura, juntos com historiadores, sociólogos, geógrafos, sindicalistas, militantes comunitários, de gênero, e de quem mais quiser tomar seus destinos nas próprias mãos será bem vindo“, escreveu ele na Carta de Princípios dos EGC.
Como homem era marcado por uma delicadeza ética. Era coerente entre pensamento e ação, entre discurso e prática. Defendia a memória não como nostalgia, mas como instrumento de justiça e responsbilidade coletiva.
Silvio Tendler deixa para todos um legado que ultrapassa a filmografia. Deixa a imagem de um homem que uniu a sensibilidade e perspicácia para fazer do cinema um espaço de escuta, lucidez e compromisso com a verdade. Em um mundo difícil e contraditório, seu olhar atento permanecerá como exemplo de humanidade.
“Sim, convocamos a todos para ser protagonistas da nossa própria História, através de filme, peças de teatros, esquetes, lives, virais, memes, músicas, grafites, proteção dos nossos biomas. Tudo o que as ferramentas tecnológicas nos permitem utilizaremos como instrumento de conscientização, luta e fortalecimento respeitando as nossas tradições e nosso patrimônio étnico-cultural.As ideias transmitidas por Silvio Tendler na Carta de Princípios dos Estados Gerais da Cultura nos abrigarão no futuro. Nosso querido amigo nos deixou fisicamente, isso é doloroso, sentimos e sentiremos o vazio da saudades, mas suas palavras estarão para sempre presente dentro de todos nós dos Estados Gerais da Cultura, nos convidando a resistir e a lutar contra a ignorância!
Como disse o jornalista italiano Walter Veltrone, o passado é confortável, mas o único lugar que nos abrigará é o futuro. Assim, que o façamos justo e prazeroso para todos. Com arte, ciência e paciência construiremos um mundo melhor”. Silvio Tendler.






