Poucas Linhas para o Amor

O amor é imã atraindo almas irmãs

Manto aquecendo corpos: luz e lã

O amor é o dia-a-dia sem armadilhas

Nova trilha e estrela nas manhãs

O amor é matriz e matiz de sentimentos              

Mantimento, enlace, elã

O amor não procura o par perfeito

Sem preconceitos, refaz o humano

O amor é casamento: o sagrado com o profano

Mais que dois, nós – seu rio e leito

O amor, enquanto dura, é infinito e eterno,

Diz o poeta, ou, terno, como quis Frei Betto

O amor não cabe neste torto verso

Plaina e pousa no acaso dos encontros:

De átomos, moléculas, células, seres, únicos

E vários, transformados em Universo

                                Delayne Brasil

(Poema publicado no seu livro Em Obras pela Oficina Editores, em 2013)

Ilustração: Marcela Weigert – Projeto de Educação Instituto Paulo Freire

Um poema para reflexão sobre o amor e declamado pela voz eloquente de Eduardo Tornaghi deu o tom a nossa Pensata sobre “Rompendo Barreiras e Preconceito”. Um papo com Zezé Motta.

Zezé Motta: rompendo barreiras e preconceitos

Zezé Motta é atriz e cantora consagrada e notável representante da cultura afro-brasileira. Presença marcante nos palcos e nas telas, envolve o público por sua energia de vida e interpretação como verdadeira Diva. Com mais de 50 anos de carreira artística entre o cinema, TV, teatro e música, Zezé irá falar 28o. Encontro dos Estados Gerais da Cultura sobre o que foi a base de toda a sua trajetória de vida, a luta contra o racismo, a força de sua negritude e o preconceito em todos os níveis, sobretudo o religioso.

A Umbanda, Candomblé e Religiões de matrizes africanas são as que mais sofrem intolerância. Em 54 anos de carreira fui escolhida inúmeras vezes para viver personagens fortes, mães de santo, mulheres guerreiras e com uma tremenda sabedoria. Foram papéis marcantes na minha carreira, como por exemplo a Mãe Ricardina, em Porto dos Milagres, na Globo, em 2001. Uma mãe de santo venerada e consultada pelo povo do cais. Foram mais de 7 personagens como mãe de santo que vivi seja no cinema ou na televisão.

Eu sou Oxum-Apará, filha de Oxum com Iansã. Mas a minha ligação com candomblé começou depois. A minha primeira religião foi o kardecismo por causa do colégio interno. Em casa, a minha mãe era da umbanda e meu pai, kardecista. Na minissérie Mãe de Santo, representei uma ialorixá. Foi um mergulho interno, um reaprendizado das minhas crenças. Sempre senti necessidade de estar ligada a alguma religião. Quando saí do internato, aos 12 anos, quis fazer primeira comunhão porque todas as minhas amigas estavam fazendo. Comecei a frequentar a Igreja Católica, entrei para o catecismo, mas, no meio do caminho, desisti. Me grilei com essa história de céu e inferno. Achei aquilo tão esquisito! Preferi ficar com a ideia de reencarnação do espiritismo. A diferença das religiões está na interpretação da Bíblia. Anos depois, por intermédio da Lélia Gonzalez e do curso de cultura negra, descobri o candomblé”. Fonte: blogdazezé